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Argentina, com maior taxa do mundo, volta a temer hiperinflação

 


Analistas veem semelhanças entre processos que levaram ao descontrole dos preços no país e na Venezuela, onde o câmbio disparou


Em apenas um ano, a inflação na Argentina mais do que dobrou atingindo 211% em 2023, deixando para trás a Venezuela, até então a campeã da região e do mundo, com uma taxa próxima a 200%. Analistas observam que há diferenças entre os processos de deterioração das duas economias, mas que sim há riscos de uma volta da hiperinflação, uma vez que parte das medidas do governo Javier Milei são inflacionárias e enfrentam a questão da indexação dos preços. Além disso, a estratégia de choque e confronto do presidente ultradireitista alimenta incertezas.


Apesar de alta, a inflação argentina nem se compara à taxa de 1989 - quando chegou a incríveis 4.923,6% - ou de 1990 (2.343,9%). Mas chama a atenção a rápida aceleração da pressão inflacionária desde dezembro.


Depois de promover uma maxidesvalorização de 54% do peso em dezembro, o governo Milei sofre pressão por uma nova desvalorização - em especial do setor agroexportador - para incorporar a alta de 25% dos preços. Só que uma nova desvalorização do peso significa mais aumentos nos preços, num movimento que se autoalimenta.


“Inequivocamente há similaridades nos processos argentino e venezuelano, embora também haja diferenças significativas”, disse Lívio Ribeiro, sócio da BRCG e pesquisador associado do FGV-Ibre. “As semelhanças estão no fato de que nem a Venezuela da era chavista nem a Argentina de agora conseguiram quebrar os seus processos de indexação de preços e câmbio”, afirmou Ribeiro.


E há um aspecto importante da economia argentina que a desfavorece, lembra Ribeiro. “A estrutura de subsídios é muito maior hoje na economia argentina do que era na Venezuela do começo do século. Isso deve causar uma percepção de empobrecimento numa velocidade muito maior do que aquilo que houve com os venezuelanos”, disse.


A diferença básica entre os processos, afirma Ribeiro, está no fato de que a Venezuela tinha uma economia muito baseada no monopólio petrolífero da estatal PDVSA, desmantelado pelas medidas do governo. “A Argentina, ao contrário, tem uma economia mais diversificada e calcada na exportação agropecuária, que tem perspectivas melhores nos próximos anos do que a dos seguidos anos de seca das safras anteriores”, afirma.


Para Fernando Morra, que foi secretário de política econômica e o número dois do Ministério da Economia durante o governo de Alberto Fernández (2019-2023), a equipe de Milei não tem um plano claro para superar o desafio de “criar condições para acumular reservas sem ter divisas internacionais, conseguir instrumentos para controlar o câmbio e equilibrar o balanço das contas correntes paralisar a atividade econômica”.


As reservas internacionais líquidas argentinas terminaram 2023 em quase US$ 11 bilhões negativos e o governo - que promoveu uma desvalorização do peso de 54% dois dias após a posse - tem encontrado dificuldades para manter a diferença (spread) entre as cotações do dólar financeiro e da oficial abaixo dos 60%. O plano da equipe de Milei é manter a inflação mensal na faixa entre 25% e 30% nos primeiros três meses deste ano, até que ela baixe para, no máximo, 8% em abril.


“Primeiro é preciso levar em conta que as medidas tomadas para obter isso seriam especialmente custosas em termos sociais, com cortes de auxílios e subsídios aos mais vulneráveis”, afirmou Mora. “E um plano assim só seria viável a partir de um diálogo. O que temos, porém, é um governo que escolheu o confronto - mesmo tendo um apoio no Congresso que mal seria suficiente para rechaçar um impeachment”, afirmou Morra.


“As medidas que o governo tem anunciado, na verdade, são inflacionárias”, disse o economista Carlos Burgueño, em entrevista à Rádio Perfil. “Quais são os fatores inflacionários que surgirão no futuro? A resposta está nas tarifas de eletricidade, gás, água, transporte, etc. Os custos vão aumentar. É possível mensurar o impacto disso em um primeiro momento, mas na etapa futura isso vai ser transferido para o preço final”, declarou Burgueño, que é autor do livro “Micronomics” - que detalha o governo de Mauricio Macri, no qual atuou.



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